Episódio 03
Autossabotagem
A autossabotagem é mais comum do que você pensa. Vamos entender como ela funciona e o que podemos fazer para melhorar?
Nota editorial da PsiAtiva. A fala sobre terapia neste episódio descreve possibilidades gerais do processo terapêutico. Cada processo é individual, e nenhum resultado pode ser previsto ou garantido (Resolução CFP nº 06/2019).
Transcrição
A autossabotagem é mais comum do que você pensa, e é sobre isso que vamos falar hoje. Eu me chamo Loivani, sou psicóloga e sejam bem-vindos ao PsiAtiva. A minha primeira pergunta hoje é: você se sente infeliz, parecendo que somente você não consegue encontrar a felicidade ou a realização pessoal? Se você está passando por isso, pare e repense as suas atitudes.
Talvez você esteja se autossabotando e nem tenha se dado conta. A autossabotagem, ela é uma tendência que a pessoa tem de se colocar limites e travas, fazendo com que as coisas pareçam mais complicadas do que realmente são. Uma parte de nós forja atitudes para confirmar que não somos merecedores do sucesso, ou então, subestimamos a capacidade de lidarmos com as realizações e com o sucesso. Em outras palavras, a autossabotagem é a prática consciente ou inconsciente de colocarmos as dificuldades e os obstáculos nas tarefas que temos que realizar, ou até mesmo como enxergamos e como nos colocamos diante do mundo.
São pensamentos e sentimentos negativos que vêm acompanhados de decisões e comportamentos autodestrutivos. Agora, como identificar essa autossabotagem? Existem alguns comportamentos comuns das pessoas que se autossabotam que eu vou falar aqui para vocês. E a primeira delas é a procrastinação.
Uma das formas de se autossabotar é de não acreditar que você é capaz de resolver o problema ou de finalizar uma tarefa. Assim, a pessoa vai praticando a procrastinação, que é o ato de deixar as atividades e as responsabilidades para depois. São inventadas várias desculpas pela pessoa para se, para postergar essas pendências e não precisar lidar com elas. Porém, se você nunca tentar, você nunca vai saber e você nunca vai sair dessa, dessa atividade e isso pode aumentar ainda mais a sensação de fracasso.
Outro comportamento é a autocrítica constante. Autocrítica é aquele ato de você cultivar os pensamentos como: “Ah, eu não vou conseguir fazer isso, não acho que eu mereço essa promoção, não sei porque essa pessoa gosta de mim”. Entre outros pensamentos que surgem ao longo do tempo e que a pessoa vai colocando isso na mente, e este é o momento em que ela se autossabota. Entre outros pensamentos que surge o tempo todo na mente da pessoa que se autossabota.
E essas ideias são tão automáticas, repetitivas e inconsciente que a pessoa nem se dá conta e aí começa a ver isso como uma verdade absoluta, o que não é. A autocrítica, ela é prejudicial para a saúde mental, pois ela atrapalha o desenvolvimento em qualquer atividade, tanto nos estudos, no trabalho ou até mesmo nas suas relações pessoais. Outro comportamento é se comparar demais com o outro. A pessoa que se autossabota, ela está o tempo todo se comparando com as outras pessoas e acaba se sentindo incompetente, incapaz, infeliz.
Bom, isso de se comparar demais, hoje em dia, tem muito a ver também com as redes sociais. Porque nós vemos a vida das pessoas, o que elas querem mostrar, é só as coisas boas. Então, a pessoa que se autossabota, que fica vendo essas, eh, positividades nas redes sociais, ela tem a impressão de que a vida da pessoa é melhor e ela começa, eh, se comparar com essa pessoa e se, e vai se autossabotando e nem percebe o que está acontecendo. Por isso, é importante entender que a grama do vizinho nunca é mais verde do que a nossa.
Nós temos essa impressão porque nós não convivemos com essa pessoa diariamente, com os problemas pessoais, com os medos e as dificuldades. Nós vemos só o que é bom. Assim como você pode estar se comparando com outras pessoas, pense também que outras pessoas podem estar se comparando com você. Outro comportamento é deixar de suprir as próprias necessidades.
Quando a pessoa não acredita que é merecedora de algo, ela deixa de aceitar ou buscar aquilo. As relações amorosas são um grande exemplo disso. Às vezes, algumas pessoas não acreditam que são merecedoras de um amor, respeito ou afeto. Por consequência disso, as pessoas permanecem em relações tóxicas e que fazem mal e por isso acabam se sabotando, já que vivem em função de colocar sempre as outras pessoas em primeiro lugar nas suas vidas.
Mas esses comportamentos que eu falei para vocês agora, eles são alguns comportamentos comuns que as pessoas que se autossabotam têm. Porém, a gente também tem alguns sinais que podem ser divididos em tipos de autossabotagem, como vitimização, culpabilidade, o medo, o estresse e a frustração e a desmotivação. Eu vou falar aqui para vocês sobre isso. A vitimização é aquele, aquelas frases assim: “Ah, eu não consigo fazer isso, eu nunca mais vou encontrar a pessoa certa, eu nunca vou ser feliz”.
Essas são afirmações comuns de vitimização que os autossabotadores alimentam na mente. O que você pensa sobre você é realmente muito poderoso. Se você acha que você não pode, que você não consegue, que nada de bom vai lhe acontecer, então, provavelmente, nesse estado de incapacidade, você nunca vai encontrar a motivação ou uma solução para você fazer algo que faça você reverter esses pensamentos negativos. A culpabilidade são aqueles pensamentos: “Eu sempre faço tudo errado”.
Se neste momento você está insatisfeito com a sua vida, existe uma forte possibilidade de você ter construído ao longo desse tempo uma afirmação negativa na sua mente. E quando vêm esses pensamentos de culpabilidade, após um erro cometido, pare e pense onde que você errou. O que fazer para não voltar a acontecer esse erro? E o mais importante, o que você aprendeu com isso?
Porque afinal, quando você erra, você também pode aprender com esse erro. Você não é o resultado dos seus erros, você é aquela pessoa que percebe os erros que fez e que tem a possibilidade de arranjar uma forma de evitar que isso volte a acontecer. Agora, o medo, o estresse e a frustração são aqueles pensamentos: “Ah, nada acontece do jeito que eu quero, nunca serei capaz de passar em um exame de matemática, ou eu não consigo enfrentar o meu patrão”. Essas são afirmações que você precisa imediatamente abandonar.
Você pode chorar, você deve chorar pela sua perda, indignação ou frustração, mas de modo bastante breve. Depois você precisa levantar, sacudir a, o corpo aí e seguir em frente. Porque a vida, ela não é contra você. E assim você precisa acreditar que, eh, você consegue resolver esses problemas, que isso são coisas que estão aí para te ajudar a crescer, para evoluir.
As coisas podem ter sido difíceis e o resultado, claro, não foi o que você esperou. Mas nós temos que encarar o lado oculto da felicidade. Inevitavelmente, as adversidades surgem no nosso caminho. Nós experimentamos o sabor do outro lado da conquista, do desafio, da alegria, da satisfação.
E é importante também que você tenha esses sentimentos, mas que você também aprenda a lidar com eles. E a desmotivação é quando a pessoa utiliza aquelas frases assim: “Ai, não vale a pena seguir pelos meus sonhos. Nada faz sentido, então nem vou continuar”. Bom, todos nós merecemos uma oportunidade de buscar a satisfação na nossa vida, todos.
Mas às vezes, por causa da interpretação dos acontecimentos negativos do nosso passado, surge uma desmotivação e um pensamento de derrota. Essa descrença instalada dá a percepção de que não vale a pena seguir os sonhos, os desejos. Essa é uma ideia suportada por um mecanismo de defesa. Ah, não seguimos os nossos sonhos para evitar a dor e o sofrimento que achamos que sentiremos no futuro.
Então, parece ser um pensamento lógico, mas funciona como uma proteção à possível desilusão, derrota e fracasso. Mas é também uma crença tóxica e destruidora. Então, foque naquilo que você quer alcançar, no que você sentiria que isso, de fato, possa se tornar realidade. Depois faça as coisas se aproximarem dos seus sonhos.
Mas é claro que eu não poderia deixar vocês sem dicas de como você lidar com a sua autossabotagem. Primeira dica: defina os objetivos de vida. Sabe aquela frase do filme Alice no País das Maravilhas que diz o seguinte: “Se você não sabe para onde ir, qualquer lugar serve”? Então, ela cai perfeito nessa dica aqui.
Porque quando nós temos o costume de definir objetivos para a vida, nós temos mais o senso de direção. Então, isso vai nos ajudar a gente saber qual é o caminho que a gente precisa seguir, trilhar para chegar no nosso objetivo. Você definindo o seu objetivo de vida, você fica mais pronto para o máximo de empecilhos e terá menos chance de errar. Além de, claro, ficar mais confiante.
Segunda dica: sempre desafie os seus pensamentos. Não devemos tomar os nossos pensamentos sempre como verdadeiros. Eles podem ser disfuncionais, limitantes por causa das nossas crenças. Por isso, sempre pense a respeito das decisões que você irá tomar, mesmo que esse caminho seja incerto.
As suas decisões vai trazer resultados e responsabilidades para os seus atos. Por isso, elas devem ser levadas a sério. E lembre-se, uma situação, ela pode ter diferentes pontos de vista. Encontre mais de uma maneira para lidar com a mesma situação.
Assim você vai poder avaliar melhor os seus pensamentos e os seus atos. Dica número três: analise quem você é. O autoconhecimento é a chave para o sucesso. Inclusive, tem um episódio aqui, eu já falei isso para vocês, aqui no podcast que fala exatamente sobre isso.
Então, eu nem vou seguir muito nesse tópico aqui. Dica quatro: leve sempre a sério as decisões que você tomar. Não desista frente à primeira dificuldade. Encare as dificuldades como uma oportunidade de crescimento e de fazer diferente.
Afinal, em todas as coisas que você fizer na sua vida, você vai ter dificuldades, mas você precisa encará-las para que você chegue no seu objetivo final. E por fim, faça terapia, busque ajuda psicológica. Se você está tendo esses problemas de autossabotagem e você não está conseguindo resolver isso sozinho, procure a ajuda de um profissional. A terapia vai te auxiliar nesse processo da autossabotagem e cuidar melhor dos seus pensamentos, vai te ajudar a alinhar aí o que você precisa para você ter uma vida mais leve, mais tranquila e não se autossabotar mais.
Bom, eu espero que vocês tenham gostado do episódio de hoje. Muito obrigada por estarem comigo até aqui. Um beijo e até a próxima.